América Latina e Caribe têm a segunda taxa mais alta de gravidez na adolescência no mundo

Fonte: Google imagens

A América Latina e o Caribe continuam a ser a região com a segunda maior taxa de gravidez na adolescência do mundo, revela um relatório conjunto lançado na quarta-feira (28/03/2018) pela Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).

O relatório destaca recomendações para reduzir a gravidez na adolescência, que vão desde o apoio a programas multissetoriais de prevenção dirigidos aos grupos em situação de maior vulnerabilidade ao aumento do acesso a métodos contraceptivos e educação sexual, entre outros.

A taxa mundial de gravidez na adolescência é estimada em 46 nascimentos por cada 1.000 meninas, enquanto as taxas de gravidez na adolescência na América Latina e no Caribe continuam sendo as segundas mais altas do mundo, estimadas em 66,5 nascimentos por cada 1.000 meninas com idade entre 15 e 19 anos – superadas apenas pela África Subsaariana, segundo o relatório “Accelerating progress toward the reduction of adolescent pregnancy in Latin America and the Caribbean”.

Mesmo que a fertilidade total – número de crianças por mulher – na América Latina e no Caribe tenha diminuído nos últimos 30 anos, as taxas de fertilidade de adolescentes caíram minimamente durante esse período. Além disso, é a única região do mundo com uma tendência ascendente de gravidez entre adolescentes com menos de 15 anos, de acordo com o UNFPA. Estima-se que, a cada ano, 15% de todas as gestações na região ocorrem entre em meninas menores de 20 anos e dois milhões de crianças nascem de mães com idade entre 15 e 19 anos.

“As taxas de fertilidade em adolescentes permanecem altas em nossa região, afetando principalmente grupos populacionais que vivem em condições de vulnerabilidade e destacando as principais desigualdades entre e dentro dos países. A gravidez na adolescência pode ter um efeito profundo na saúde das meninas durante o curso da vida”, disse Carissa F. Etienne, diretora da OPAS. “Isso não só dificulta seu desenvolvimento psicossocial, mas também está relacionado a resultados deficientes de saúde e um maior risco de morte materna. Além disso, seus filhos estão em maior risco de ter problemas de saúde e cair na pobreza”, pontuou.

A mortalidade materna é uma das principais causas de óbito entre adolescentes e jovens com idade entre 15 a 24 anos na região das Américas. Em 2014, cerca de 1,9 mil adolescentes e jovens morreram em decorrência de complicações ocorridas durante a gravidez, parto e períodos pós-parto. Em nível global, o risco de morte materna é duplicado em mães com menos de 15 anos em países de baixa e média renda. As mortes perinatais são 50% maiores entre os bebês nascidos de mães menores de 20 anos quando comparados com os nascidos de mães de 20 a 29 anos, de acordo com o relatório.

“A falta de informação e o acesso restrito à educação sexual integral e serviços adequados de saúde sexual e reprodutiva estão diretamente relacionados à gravidez na adolescência. Muitas dessas gestações não são uma escolha deliberada, mas sim o resultado, por exemplo, de uma relação abusiva” disse Esteban Caballero, diretor regional do UNFPA para a América Latina e o Caribe. “Reduzir a gravidez na adolescência significa garantir o acesso a métodos contraceptivos eficazes”.

O relatório destaca que, na maioria dos países, as adolescentes sem acesso à educação ou apenas com educação primária têm quatro vezes mais chances de engravidar do que as meninas com ensino médio ou superior. Meninas cujas famílias fazem parte do quintil de riqueza mais baixo também têm três ou quatro vezes mais probabilidades de se tornarem mães em comparação com as do quintil mais alto do mesmo país. As meninas indígenas, especialmente nas áreas rurais, têm uma maior probabilidade de engravidar jovens.   “Muitas meninas e adolescentes precisam abandonar a escola por causa da gravidez, que tem um impacto a longo prazo em suas oportunidades de completar sua educação e se juntar à força de trabalho, bem como sua capacidade de participar da vida pública e política”, afirmou Marita Perceval, diretora regional do UNICEF. “Como resultado, as mães adolescentes estão expostas a situações de maior vulnerabilidade e à repetição de padrões de pobreza e exclusão social”.

Prevenindo a gravidez na adolescência  

O relatório elenca uma série de recomendações para reduzir a gravidez na adolescência, que envolvem desde ações para gerar leis e normas até trabalhos de educação em nível individual, familiar e comunitário:

  • Promover medidas e normas que proíbam o casamento infantil e as uniões precoces, ou seja, antes dos 18 anos de idade;
  • Apoiar programas de prevenção da gravidez baseados em evidências e que envolvam múltiplos setores e visem os grupos mais vulneráveis;
  • Aumentar o uso da contracepção;
  • Reduzir as relações sexuais sob coerção;
  • Aumentar os cuidados qualificados de pré-natal, parto e pós-parto;
  • Incluir jovens na concepção e implementação de programas de prevenção da gravidez;
  • Criar ambientes que permitam a igualdade de gênero e ajudar adolescentes a exercerem seus direitos sexuais e reprodutivos.

Gravidez na adolescência em números

  • A maioria dos países com as taxas estimadas mais elevadas de fertilidade adolescente na América Latina e Caribe estão na América Central, estando à frente a Guatemala, Nicarágua e Panamá. No Caribe, a República Dominicana e a Guiana têm as taxas mais elevadas; e na América do Sul, Bolívia e Venezuela têm as taxas mais altas.
  • A taxa de fertilidade na adolescência na América Latina e no Caribe varia de 15,8 por cada 1.000 mulheres a 100,6 por cada 1.000 mulheres durante 2010-2015.
  • A taxa de fertilidade total na América Latina e no Caribe diminuiu de 3,95 nascimentos por mulher em 1980-1985 para 2,15 em 2010-2015.
  • Embora a taxa de fertilidade específica por idade (número de nascimentos por cada 1.000 mulheres) tenha diminuído significativamente na maioria dos grupos etários entre mulheres adultas (maiores de 18 anos) para metade ou menos do que em 1980-1985, a taxa de fertilidade adolescente apresentou o menor declínio durante esse período, de 88,2 para 66,5.
  • Os Estados Unidos e o Canadá têm taxas de fertilidade adolescentes abaixo da média global e mantiveram essa redução na última década.
  • Nos Estados Unidos, uma diminuição recorde na gravidez na adolescência foi registrada em todos os grupos étnicos, com uma queda de 8% entre 2014 e 2015 para um mínimo histórico de 22,3 nascimentos por cada 1.000 adolescentes de 15 a 19 anos.
  • Aproximadamente 16 milhões de meninas de 15 a 19 anos e 2 milhões de garotas com menos de 15 anos ficam grávidas todos os anos em todo o mundo.
  • Dos 252 milhões de adolescentes de 15 a 19 anos que vivem em regiões em desenvolvimento do mundo, estima-se que 38 milhões são sexualmente ativas e não querem uma criança nos próximos dois anos.
  • Cerca de 15 milhões dessas adolescentes utilizam um método contraceptivo moderno; os 23 milhões restantes têm uma necessidade insatisfeita de contraceptivos modernos e estão em risco de gravidez não desejada.
  • A oferta de anticoncepcionais modernos entre mulheres com idades compreendidas entre os 15 e 19 anos, anualmente, evitaria 2,1 milhões de nascimentos não planejados, 3,2 milhões de abortos e 5,6 mil óbitos maternos.

 

 

Fonte: OPAS/OMS

http://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5604:america-latina-e-caribe-tem-a-segunda-taxa-mais-alta-de-gravidez-na-adolescencia-no-mundo&Itemid=820

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