Anvisa amplia indicação de uso de medicamentos oncológicos e hematológicos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ampliou a indicação de uso de medicamentos para oncologia e hematologia. Receberam novas indicações: olaparibe (câncer de ovário), mesilato de lenvatinibe (câncer de tireoide), lenalidomida (mieloma múltiplo) e pembrolizumabe (melanoma).

Olaparibe

Aprovado em dezembro de 2018 para monoterapia ou tratamento de manutenção do câncer de ovário em pacientes adultas com recidiva de carcinoma seroso de grau 2 ou maior sensível à platina e com mutação no gene de suscetibilidade ao câncer de mama, o olaparibe recebeu nova indicação para mulheres adultas com insuficiência hepática leve ou moderada. A alteração teve como base os resultados do estudo de fase 2 NCT01894243.

O olaparibe inibe seletivamente as enzimas poli (ADP-Ribose) polimerase. Dentre elas, estão as PARP1, PARP2 e PARP3. Ao inibi-las, o medicamento impede o reparo das clivagens de cadeia única do DNA, o que aumenta o potencial citotóxico das moléculas que danificam o material genético, reduzindo a resistência das células do tumor.

 Os efeitos colaterais mais comuns são: baixa de hemoglobina, volume corpuscular médio aumentado, náusea, baixa de leucócitos, fadiga, baixa de linfócitos, entre outros.

Mesilato de lenvatinibe

A Anvisa ampliou a indicação de uso do mesilato de lenvatinibe para tratamento de carcinoma de células renais avançado, depois de terapia antiogênica. A nova indicação prevê que o fármaco seja combinado com o everolimo. O medicamento continua indicado para adultos com carcinoma diferenciado da tireoide, localmente avançado ou metastático, progressivo, refratário à radioiodoterapia desde 2016.

O mesilato de lenvatinibe é um inibidor de quinases que atua sobre as quinases dos receptores VEGFR1 (FLT1), VEGFR2 (KDR) e VEGFR3 (FLT4) do fator de crescimento endotelial vascular (VEGF). O medicamento também apresenta efeito inibitório em outras quinases, que foram associadas à angiogênese patogênica, ao crescimento tumoral e à progressão do câncer.

Os principais efeitos colaterais apresentados durante o uso do medicamento foram: fadiga, diminuição do apetite, náusea, inchaço nos braços e nas pernas, dor abdominal. O medicamento pode provocar infertilidade em homens e mulheres. Com o nome comercial de Lenvima, o mesilato de lenvatinibe é fabricado pela farmacêutica Pantheon Inc., no Canadá, e importado para o Brasil pela Eisai Laboratórios Ltda.

Lenalidomida

Os medicamentos à base de lenalidomida tiveram suas indicações ampliadas pela Anvisa, que agora passou a indicar o fármaco para o tratamento de mieloma múltiplo recém-diagnosticado em pacientes que passaram por transplante autólogo de células-tronco, e que estão em monoterapia para o tratamento de manutenção, e também para pacientes com mieloma múltiplo sem tratamento prévio, mas que não são elegíveis para transplante, em terapia combinada. O estudo randomizado controlado NCT00114101 embasou a decisão.

 A lenalidomida é derivada da talidomida, e carrega propriedades imunomoduladoras, antiangiogênicas e antineoplásicas. As atividades celulares da lenalidomida medeiam a ubiquitinação e degradação da IKZF1, IKZF3 e caseína quinase 1a (CK1a), que facilitam a interação com o cereblon (CRBN), que é o receptor de substrato para a CRL4. O fármaco inibe a proliferação e induz a apoptose de certas células tumorais hematopoiéticas, incluindo linfoma de células do manto e síndromes mielodisplásicas (5q) in vitro.  Os efeitos colaterais mais comuns durante o uso são: diarreia, fadiga, anemia, constipação, neutropenia, leucopenia, edema periférico, insônia, espasmos musculares, dores abdominais, entre outros.
 Pembrolizumabe

Fonte: Google imagens

O pembrolizumabe teve duas novas indicações aprovadas pela Anvisa. A primeira, com base no estudo randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, NCT02362594, é indicada para terapia adjuvante em pacientes com melanoma com envolvimento de linfonodos, que tenham passado por ressecção cirúrgica completa. A segunda indicação, com base no estudo randomizado, multicêntrico, duplo-cego e controlado por placebo, NCT02775435,  autoriza o uso como tratamento de primeira linha em pacientes com câncer de pulmão escamoso de células não pequenas, com metástase, combinado com carboplatina e paclitaxel ou com paclitaxel.

 O medicamento é um anticorpo monoclonal recombinante, com o isótipo IgG4, usado na imunoterapia do câncer. A ação do pembrolizumabe se dá pelo bloqueio de um mecanismo protetivo das células cancerígenas, e, com isso, permite que o sistema imunológico do paciente as destrua. O alvo do medicamento é o receptor de morte celular programada 1 (PD-1) presente em células T, bloqueando a interação com os ligantes PD-L1 e PD-L2, em que a interação com o receptor PD-1 inibe a proliferação de células T e produção de citocinas. Com o receptor liberado, a inibição da resposta imune mediada pela via PD-1 é reduzida.  Os efeitos colaterais mais comuns são: fadiga, dor musculoesquelética, diminuição do apetite, prurido, diarreia, náusea, erupção cutânea, entre outros.
Fonte: Medscape
https://portugues.medscape.com

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