Feliz 2019

Atualização dos Critérios de Beers de uso de medicamentos em idosos

Fonte: Google imagens

American Geriatrics Society (AGS) lançou a atualização de 2019 dos critérios de Beers sobre o uso de medicamentos potencialmente inapropriados para idosos. A atualização foi publicada on-line no periódico Journal of the American Geriatrics Society em 29 de janeiro de 2019.

“Os medicamentos têm um papel importante na saúde e no bem-estar de muitos idosos”, disse a Dra. Donna M. Fick, enfermeira e copresidente do grupo de especialistas responsável pelos critérios de Beers 2019 da AGS, em comunicado à imprensa.

“Com essa nova atualização, esperamos que as informações mais recentes sobre o que torna os medicamentos apropriados para os idosos possam desempenhar um papel igualmente importante na tomada de decisão sobre as opções de tratamento que atendam às necessidades dos idosos, mantendo-os o mais seguros possível”.

Os objetivos dos critérios de Beers são facilitar a escolha da medicação, reduzir os eventos adversos e fornecer uma ferramenta para avaliar o custo, os padrões e a qualidade do atendimento das pessoas com 65 anos ou mais. Os critérios listam os medicamentos que devem ser evitados pelos idosos, tanto em termos gerais, como para doenças ou enfermidades específicas. Médicos, pesquisadores, educadores, gestores de saúde e agentes regulamentadores têm usado estes critérios, publicados pela primeira vez em 1991 e atualizados a cada três anos desde 2011.

 Os critérios de 2019 contêm 30 medicamentos ou classes farmacológicas que devem ser, em geral, evitados em idosos, e 40 medicamentos ou classes farmacológicas que devem ser usados com cautela ou evitados para alguns pacientes com doenças ou enfermidades específicas. Dois critérios foram acrescentados em resposta à crise dos opioides – não prescrever opioides junto com benzodiazepínicos ou gabapentinoides.

Oito anticonvulsivantes, oito medicamentos para insônia e os vasodilatadores para síncope foram excluídos dos critérios. Alguns desses medicamentos foram retirados porque os problemas associados ao seu uso não são exclusivos dos pacientes idosos. Dois medicamentos – ticlopidina e pentazocina – foram omitidos por já não estarem disponíveis nos Estados Unidos.

Excluídos dos critérios

Os antagonistas dos receptores H2 foram retirados dos critérios porque as evidências sobre seus efeitos adversos nos pacientes com demência são fracas. Esses medicamentos, indicados para o tratamento do refluxo gastroesofágico, ainda podem ser usados para os pacientes com delirium .

Os quimioterápicos carboplatinacisplatinavincristina e ciclofosfamida foram excluídos porque o grupo de especialistas os considerou “especializados demais” e fora do escopo dos critérios.

“Use com cautela”

A associação de dextrometorfano e quinidina deve ser utilizada com cautela, por ter eficácia limitada no alívio dos sintomas comportamentais da demência nos pacientes sem transtorno da expressão emocional involuntária (ou afeto pseudobulbar), e porque pode aumentar o risco de quedas e interações medicamentosas.

rivaroxabana deve ser usada com cautela para tromboembolia venosa ou fibrilação atrial em pacientes com mais de 75 anos, em função do risco de sangramento gastrointestinal.

 A associação de sulfametoxazol-trimetoprima pode aumentar o risco de hiperpotassemia nos pacientes com diminuição da função renal, que estejam tomando inibidores da enzima conversora da angiotensina ou bloqueadores dos receptores da angiotensina.
Carbamazepinamirtazapinaoxcarbazepina, serotonina, inibidores da recaptação da norepinefrina, inibidores seletivos da recaptação da serotonina, antidepressivos tricíclicos e tramadol devem ser usados com cautela, pois podem causar ou exacerbar a síndrome da secreção inapropriada do hormônio antidiurético. Os níveis de sódio devem ser monitorados de perto ao prescrever esses medicamentos.
 O ácido acetilsalicílico para prevenção primária da doença cardiovascular ou do câncer colorretal merece atenção especial entre os pacientes com mais de 70 anos, e não mais 80 anos, porque novos dados mostraram uma redução na idade em que há aumento do risco de sangramento nos pacientes idosos. Inibidores da recaptação da serotonina e da norepinefrina devem ser prescritos com cautela para pacientes com risco de queda ou de fraturas.

Outras novidades

Para a doença de Parkinson, a recomendação de evitar todos os antipsicóticos foi revista, e passa a aceitar a quetiapina, a clozapina e a pimavanserina.

 Em caso de insuficiência cardíaca, os antagonistas dos canais de cálcio e os não di-hidropiridínicos não devem ser prescritos para os pacientes com diminuição da fração de ejeção. Os anti-inflamatórios não esteroides, os inibidores da COX-2, as tiazolidinedionas e a dronedarona devem ser prescritos com cautela para pacientes sem sintomas de insuficiência cardíaca.
 Macrolídios (exceto a azitromicina) ou o ciprofloxacino não devem ser prescritos junto com a varfarina pelo risco de sangramento.  O ciprofloxacino e a teofilina não devem ser associados devido ao aumento da toxicidade da teofilina.
Para pacientes com diminuição da função renal, o uso do ciprofloxacino está associado a aumento do risco de ruptura de tendão e aumento dos seus efeitos no sistema nervoso central. O uso de sulfametoxazol-trimetoprima está associado a piora da insuficiência renal e hiperpotassemia.
 “Os critérios de Beers da AGS são uma ferramenta essencial, baseada em evidências, que deve ser usada como guia sobre os medicamentos a serem evitados para os idosos. No entanto, não substituem a avaliação clínica, ou preferências, valores, objetivos terapêuticos e necessidades de cada paciente, como também não devem ser usados para punir ou restringir excessivamente o acesso aos medicamentos”, concluíram os autores.

Algumas limitações dos critérios de Beers são: a inclusão apenas de estudos publicados em inglês, a inclusão de estudos observacionais, e o fato de alguns subgrupos de pacientes não terem sido estudados.

 No editorial que acompanha o artigo, os membros do grupo de especialistas Dr. Michael A. Steinman, médico da Divisão de Geriatria da University of California, em San Francisco, e a Dra. Donna Fick, enfermeira do College of Nursing e do College of Medicine da Pennsylvania State University, em Hershey, lembraram os leitores que os medicamentos considerados de risco para pacientes idosos nos critérios de 2019 são potencialmente inapropriados, e não definitivamente inapropriados, e recomendaram uma leitura aprofundada dos detalhes.
 “A melhor forma de usar os critérios de Beers da AGS começa pela identificação dos medicamentos potencialmente inapropriados e, quando cabível, oferecer tratamentos mais seguros, farmacológicos ou não”, escreveram. Os médicos devem considerar esses critérios como um ponto de partida para a prescrição personalizada. “Assegurar o uso seguro e eficaz dos medicamentos pelos pacientes idosos é fundamental para prestar uma assistência médica de alta qualidade, e uma excelente oportunidade para o trabalho multidisciplinar. Use os critérios de Beers e use-os com sabedoria”, concluíram o Dr. Michael e a Dra. Donna.
 Para a atualização de 2019, um painel de especialistas revisou as evidências publicadas desde a última atualização para avaliar quais critérios deveriam ser adicionados, removidos ou alterados. Os 13 membros do grupo de especialistas foram médicos, farmacêuticos ou enfermeiros que também participaram da atualização de 2015.
 O grupo revisou 1.422 artigos. Destes, 377 foram resumidos em tabelas de evidências; esses artigos incluíram 29 ensaios clínicos controlados, 281 estudos observacionais e 67 metanálises e/ou revisões sistemáticas. As sugestões foram aceitas entre os dias 13 de agosto de 2018 e 04 de setembro de 2018, correspondendo a 79 comentários de 47 pessoas, 10 comentários de seis laboratórios farmacêuticos e 155 comentários de 22 organizações de profissionais de saúde.
Fonte: Medscape
https://portugues.medscape.com

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