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Chegada do trastuzumabe ao SUS deverá evitar o sofrimento de milhares de pacientes e de seus médicos

Fonte: Google imagens

Prevista para fevereiro de 2018, a chegada do trastuzumabe ao Sistema Único de Saúde (SUS) para as pacientes com câncer de mama HER2-positivo metastático será um alívio para essas mulheres e seus oncologistas. O medicamento é fornecido desde 2005 para quem tem plano de saúde, mas restrito no serviço público aos casos de estágio inicial ou localmente avançado. Segundo o Dr. Gustavo Fernandes, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), boa parte dos médicos atua tanto no SUS quanto na área privada. “Eles se sentem constrangidos por ter de adotar posturas diferentes para situações que requerem a mesma conduta terapêutica”, relata.

Este é o caso do Dr. Marcelo Bumlai, de Cuiabá (MT). O especialista trabalha no Hospital Geral Universitário, onde presta serviço à rede pública, e em consultório particular. “A disparidade entre o privado e o público é absurda”, desabafa. “É difícil estar diante de uma paciente que poderia ter mais qualidade de vida e o dobro de sobrevida com o trastuzumabe e saber que ela não terá acesso ao medicamento, ao contrário de outras cobertas pelo convênio; somos seres humanos.”

O Dr. Gustavo Fernandes explica que um dos motivos que levaram a diretoria da SBOC a reivindicar a incorporação do trastuzumabe foi a necessidade de promover uma melhor condição de trabalho para os oncologistas. “Essa falta de acesso e esse abismo em relação à área privada aumentam a pressão sobre o profissional, que já enfrenta inúmeras situações-limite em sua prática clínica”, afirma.

Outro a vivenciar esse dilema é o Dr. Luiz Alberto Mattos, oncologista no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco. O especialista também trabalha em seu consultório. “São circunstâncias paradoxais. Atendemos pacientes que precisam da mesma medicação. No privado, prescrevemos normalmente. No público, sabemos que elas não terão o tratamento. Mas são todas cidadãs. O médico é o mesmo. A medicina é a mesma”, salienta. Mattos considera essa privação um “desconforto ético” por tudo o que envolve os deveres do médico. “Temos limitada nossa atuação profissional e sofremos junto com as pacientes”, desabafa.

Custo-benefício

Oficializada no último dia 3, a incorporação do trastuzumabe ao SUS tem prazo de 180 dias para vigorar. Na semana passada, foi assinado um acordo de transferência de tecnologia para a produção nacional do medicamento. O Ministério da Saúde afirma que o valor será 30% menor que o de mercado no primeiro ano de fornecimento, com novas quedas de 5% ao ano previstas em contrato.

Conforme a literatura, para pacientes com câncer de mama HER2-positivo metastático, a mediana de sobrevida global é de 20,3 meses com quimioterapia isolada e de 40,8 meses com quimioterapia mais trastuzumabe. Os oncologistas também ressaltam como benefício a baixa toxicidade do medicamento.

 

 

Fonte: Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica 

http://www.sboc.org.br/noticias/item/1034-chegada-do-trastuzumabe-ao-sus-devera-evitar-o-sofrimento-de-milhares-de-pacientes-e-de-seus-medicos 

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