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Cinco novos subtipos de insônia podem ajudar a personalizar o tratamento do quadro

Fonte: Google imagens

Pesquisadores holandeses identificaram cinco novos subtipos de insônia, que podem levar a um tratamento mais personalizado do quadro. Os subtipos não estão muito relacionados com as queixas de sono, mas são diferenciados por traços fisiopatológicos e pela história de vida; mantêm-se estáveis ao longo do tempo e estão associados a depressão concomitante, respostas ao tratamento, e a achados eletroencefalográficos relacionados com potenciais eventos, observaram os pesquisadores. O estudo foi publicado on-line em 07 de janeiro no periódico Lancet Psychiatry.

Abordagem baseada em dados e progressiva

Os subtipos do transtorno da insônia propostos anteriormente foram concebidos “de cima para baixo” e se concentraram nas características relacionadas com o sono, como a dificuldade de dormir ou de manter o sono. No entanto, sua fidedignidade era insuficiente, tendo sido em grande parte descartados, observaram Tessa Blanken e colaboradores, ela doutoranda no Departamento de Cognição e Sono do Nederlands Herseninstituut, em Amsterdã.

Os pesquisadores suspeitaram que “subtipos mais claros do transtorno da insônia poderiam emergir se fossem concebidos de forma progressiva, embasados nos dados de um conjunto multidimensional de características estáveis e fisiopatológicas sem relação com o sono, porém relevantes para a insônia”.

Para este estudo, os pesquisadores analisaram dados de 4.322 adultos do Nederlands Slaap Register tendo preenchido questionários sobre traços de personalidade, sono, eventos da vida e história patológica. Destes, 2.224 (51%) tinham provável distúrbio de insônia, definido como índice de gravidade de insônia ≥ 10. Os demais 2.098 (49%), cuja pontuação foi mais baixa, serviram como grupo de controle.

Usando a análise de classes latentes para as respostas do questionário do grupo com insônia, os pesquisadores identificaram os seguintes subtipos de transtornos de insônia:

Subtipo 1 (19% do grupo), caracterizado por alta pontuação nos traços de angústia, como inquietação e sensação de depressão ou tensão. Este subtipo é denominado “transtorno da insônia com muita angústia”.

O subtipo 2 (31%) e o subtipo 3 (15%) são caracterizados por menos angústia. Esses subtipos se diferenciam em termo de o paciente ser ou não sensível à recompensa. O subtipo 2 é denominado “distúrbio da insônia sensível à recompensa com angústia moderada” e o subtipo 3 é denominado “distúrbio de insônia insensível à recompensa com angústia moderada”.

O subtipo 4 (20%) e o subtipo 5 (15%) se caracterizam por menor grau de sofrimento. Diferem entre si pelo grau de insônia em resposta aos eventos estressantes da vida. Para os pacientes com subtipo 4, os eventos estressantes induzem insônia grave e de longa duração, enquanto para os pacientes com subtipo 5, o sono não é influenciado por esses eventos.

O subtipo 4 é denominado “distúrbio da insônia muito reativo com pouca angústia” e o subtipo 5, “distúrbio da insônia pouco reativo com pouca angústia”.

Esses subtipos emergiram como perfis multivariados específicos de características estáveis que não estavam diretamente relacionadas com o sono, mas eram relevantes para a insônia, observaram os pesquisadores.

Em uma subamostra de 215 dos 2.224 pacientes originais com insônia reavaliados 4,8 anos depois, a probabilidade de os pacientes manterem seu subtipo original foi de 0,87, “indicando a grande estabilidade da classificação”, escreveram os autores.

Os pesquisadores replicaram os subtipos da insônia em um segundo conjunto de dados, sem superposição, do Nederlands Slaap Register, de 251 adultos com distúrbio da insônia. As características desses subtipos de transtornos da insônia diferiram das características das pessoas do grupo de controle sem distúrbio da insônia.

Pronta para aplicação clínica?

Os pesquisadores indicaram que é possível fazer a classificação em subtipos usando um conjunto conciso de perguntas, disponibilizada no anexo do artigo, com pontuação automatizada. No entanto, Tessa alertou que ainda são necessários mais estudos antes que os profissionais de saúde possam usar diretamente esses subtipos para personalizar o tratamento.

A pesquisadora disse que ela e seus colaboradores estão fazendo um grande ensaio clínico para avaliar se os diferentes subtipos podem ser usados para identificar pessoas que sofrem de insônia e que apresentam maior risco de depressão. Os autores também estão explorando “se a terapia cognitivo-comportamental para insônia nesses pacientes – complementada ou não por cronoterapia, por serem contextos experimentais diferentes –, pode ajudar a prevenir a depressão. Este estudo ainda está em andamento”.

Em um comentário associado, o Dr. Tsuyoshi Kitajima, Ph.D., médico do Departamento de Psiquiatria da Fujita Health University School of Medicine,em Aichi, Japão, escreveu que esta pesquisa sugere “ser possível ter uma classificação robusta em subtipos em uma população com insônia. Essa nova estratégia de subtipos pode acrescentar uma nova página à história nosológica da insônia, promovendo descobertas de novos mecanismos e diferentes intervenções”. “Outras replicações desses subtipos entre populações com distúrbio da insônia no atendimento clínico seriam valiosas”, observou Dr. Tsuyoshi.

 O estudo foi financiado pelo European Research Council e pela Nederlandse Organisatie voor Wetenschappelijk Onderzoek. Os autores informaram não ter conflitos de interesses relevantes. Dr. Tsuyoshi Kitajima recebeu verbas para pesquisa das empresas Eisai, Takeda e Merck Sharp & Dohme, bem como honorários das empresas Eisai, Takeda, Merck, Mitsubishi Tanabe Pharma, Otsuka, Eli Lilly, Meiji, Yoshitomiyakuhin, Sumitomo Dainippon Pharma, Fukuda Shionogi e Novo Nordisk.

 

 

Fonte: Medscape

https://portugues.medscape.com

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