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Em face do lento progresso no mundo, OMS oferece nova ferramenta e estabelece meta para acelerar ações contra resistência antimicrobiana

A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou no dia 18/06 uma campanha global convocando os governos a adotarem um instrumento para reduzir a disseminação da resistência antimicrobiana, eventos adversos e custos. Denominada AWaRe, a ferramenta foi desenvolvida pela Lista de Medicamentos Essenciais da OMS para conter a resistência crescente e tornar o uso de antibióticos mais seguro e eficaz.

Fonte: Google imagens

A AWaRe classifica os antibióticos em três grupos – Acesso, Alerta e Reserva – e especifica quais antibióticos usar para as infecções mais comuns e graves; quais devem estar disponíveis em todos os momentos no sistema de saúde; e aquelas que devem ser usadas com parcimônia ou preservadas e usadas apenas como último recurso.

A nova campanha visa aumentar a proporção do consumo global de antibióticos no grupo Acesso para pelo menos 60% e reduzir o uso de antibióticos com maior risco de resistência dos grupos Alerta e Reserva. O uso de antibióticos do grupo Acesso reduz o risco de resistência porque eles são de “espectro estreito” (que têm como alvo um microrganismo específico em vez de vários). Eles também são menos caros porque estão disponíveis em formulações genéricas.

“A resistência antimicrobiana é um dos mais urgentes riscos à saúde do nosso tempo e ameaça desfazer um século de progresso”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS. “Todos os países devem encontrar um equilíbrio entre a garantia do acesso a antibióticos que salvam vidas e a redução da resistência aos medicamentos, reservando o uso de alguns antibióticos para as infecções mais difíceis de serem tratadas. Convoco os países a adotarem a AWaRe, que é uma ferramenta valiosa e prática para fazer exatamente isso”.

A resistência antimicrobiana é uma ameaça global à saúde e ao desenvolvimento e que continua crescendo no mundo, conforme destacado em um relatório recente do Grupo de Coordenação Internacional sobre Resistência Antimicrobiana. Atualmente, estima-se que mais de 50% dos antibióticos em muitos países são utilizados inadequadamente – por exemplo, para tratar vírus quando tratam apenas infecções bacterianas ou no uso do antibiótico errado (espectro mais amplo), o que contribui para a disseminação da resistência antimicrobiana.

Uma das preocupações mais prementes é a disseminação de bactérias gram-negativas resistentes, incluindo AcinetobacterEscherichia coli e Klebsiella pneumoniae. Essas bactérias, que são comumente vistas em pacientes internados, causam infecções como pneumonia, infecções da corrente sanguínea, feridas ou infecções de sítio cirúrgico e meningite. Quando os antibióticos deixam de funcionar de forma eficaz, são necessários tratamentos mais caros e internações hospitalares, o que gera uma carga pesada sobre orçamentos de saúde já sobrecarregados.

Ao mesmo tempo, muitos países de baixa e média renda experimentam grandes lacunas no acesso a antibióticos eficazes e apropriados. As mortes na infância por pneumonia (estimadas, globalmente, em cerca de um milhão por ano) devido à falta de acesso a antibióticos continuam frequentes em muitas partes do mundo. E embora mais de 100 países tenham implementado planos nacionais para combater a resistência antimicrobiana, apenas um quinto desses planos são financiados e implementados.

“Combater a resistência antimicrobiana requer um equilíbrio cuidadoso entre o acesso e a preservação”, disse Hanan Balkhy, diretora-geral adjunta da OMS para resistência antimicrobiana. “A ferramenta AWaRe pode orientar a política para garantir que os pacientes continuem sendo tratados, além de limitar o uso de antibióticos com maior risco de resistência”.

Na ausência de novos investimentos significativos no desenvolvimento de novos antibióticos, a melhoria do uso de antibióticos é uma das principais ações necessárias para reduzir o surgimento e a disseminação da resistência antimicrobiana. Ao classificar os antibióticos em três grupos distintos e dar aconselhamento sobre quando usá-los, a AWaRe torna mais fácil para os formuladores de políticas, prescritores e profissionais de saúde selecionarem o antibiótico certo no momento certo e proteger os antibióticos ameaçados.

“A resistência antimicrobiana é uma pandemia invisível”, disse Mariângela Simão, diretora-geral adjunta de Acesso a Medicamentos. “Já estamos começando a ver sinais de uma era pós-antibiótica, com o surgimento de infecções que são intratáveis por todas as classes de antibióticos. Devemos proteger esses preciosos antibióticos de última geração para garantir que ainda possamos tratar e prevenir infecções graves”.

Nota aos editores
A campanha AWaRe – “Adote a AWaRe, use antibióticos com cuidado” – será oficialmente lançada em 19 de junho pelos ministros da Saúde da Holanda e da Indonésia e pelo diretor-geral da OMS, Hanan Balkhy, na segunda conferência ministerial sobre resistência antimicrobiana em Noordwijk, Holanda. O site da campanha AdoptAWaRe.org fornece materiais e recursos de advocacy e comunicação para os formuladores de políticas.

 

 

 

Fonte: OPAS/OMS

https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5971:em-face-do-lento-progresso-no-mundo-oms-oferece-nova-ferramenta-e-estabelece-meta-para-acelerar-acoes-contra-resistencia-antimicrobiana&Itemid=812

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