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Incidência de câncer hepático aumenta em quase todo o mundo

Fonte: Google imagens

A incidência do câncer hepático aumentou nos últimos 25 anos em grande parte do mundo, mas a causa deste tipo de câncer varia muito dependendo da região geográfica e, até certo ponto, também varia de acordo com a renda. Estas são as conclusões do estudo Global Burden of Disease (GBD) 2015 publicado on-line em 5 de outubro no periódico JAMA Oncology.

“O câncer hepático continua sendo um fardo importante para a saúde pública em todo o mundo”, escreveu a primeira autora do artigo, a Dra. Christina Fitzmaurice, médica da University of Washington, em Seattle, e colaboradores.

“O câncer hepático foi a quarta principal causa de morte por câncer em 2015, depois de câncer pulmonar, colorretal e estomacal”, segundo os autores. Em números atuais, houve um total de 854.000 novos casos de câncer hepático em todo o mundo em 2015, e 810.000 mortes em decorrência da doença.

Isso se soma aos 20.578.000 anos de vida ajustados por incapacidade (DALYs, do inglês Disability-Adjusted Life-Years) em todo o mundo. Como os autores explicam, um DALY representa um ano de vida saudável perdido.

O artigo também indica que, entre 1990 e 2015, os novos casos de câncer hepático aumentaram 75%.

Além disso, “entre 1990 e 2015, os casos de câncer hepático, óbitos e anos de vida ajustados por incapacidade aumentaram de forma geral em todos os grupos etiológicos. O maior aumento nos novos casos foi pelo vírus da hepatite C (HCV, do inglês Hepatitis C Virus), seguido pelo álcool, observam os pesquisadores.

“O maior volume de novos casos de câncer hepático, de óbitos e de anos de vida ajustados por incapacidade foi observado no leste da Ásia”, informam os autores.

A análise seletiva feita apenas com países de alta renda na região da Ásia e do Pacífico revelou que o Japão teve 75% de novos casos de câncer hepático, dos quais dois terços foram causados por infecção pelo vírus da hepatite C.

Entre 1990 e 2015, a incidência de câncer hepático padronizada pela idade também revelou que houve aumento de mais de 100% em muitos países de alta renda, como Estados Unidos da América (EUA), Canadá, Austrália, Nova Zelândia e na maioria dos países europeus.

Por outro lado, os índices de mortalidade padronizados pela idade (ASMRs, do inglês Age-Standardized Mortality Rates ) diminuíram substancialmente em regiões como o leste asiático e no oeste da África subsaariana, onde a incidência de câncer hepático têm sido tradicionalmente alta.

Por exemplo, os índices de mortalidade padronizados por idade na China caíram um terço entre 1990 e 2015, possivelmente pela redução da exposição às aflatoxinas e, até certo ponto, pelos programas nacionais de imunização contra o vírus da hepatite B (HBV, do inglês Hepatitis B Virus). As aflatoxinas são uma família de toxinas produzidas por certos fungos encontrados em culturas agrícolas, como milho, amendoim, semente de algodão e nozes.

Diferenças de gênero

“Existem acentuadas diferenças entre os gêneros no mundo todo na incidência de câncer hepático relacionado com o vírus da hepatite B e com o álcool”, continuam os pesquisadores. Por exemplo, o vírus da hepatite B causou 203.000 casos de câncer hepático entre os homens em 2015, mas muito menos da metade desse número, 70.000 casos, entre as mulheres.

O álcool, por sua vez, causou quase o mesmo número de casos de câncer hepático entre os homens neste mesmo ano, 204 mil, mas entre as mulheres, ainda menos do que a infecção pelo vírus da hepatite B, apenas 45 mil casos, novamente em 2015.

“A contribuição de diferentes etiologias para o total de mortes por câncer hepático varia muito entre os países e as regiões geográficas”, escrevem os pesquisadores.

Em geral, o vírus da hepatite B e o álcool foram as causas mais comuns de morte por câncer hepático em 2015, respondendo por 33% e 30%, respectivamente, da mortalidade global da doença.

No entanto, a causa da morte por câncer hepático variou significativamente nas diferentes regiões geográficas.

Por exemplo, a infecção pelo vírus da hepatite B teve menos probabilidade de evoluir para morte por câncer hepático em regiões como o sul da América Latina, e maior probabilidade de causar morte no oeste da África subsaariana e na região andina da América Latina.

A infecção pelo vírus da hepatite C, por sua vez, foi a causa menos comum de morte por câncer hepático no leste asiático, mas foi a causa mais comum de morte por câncer hepático nos países de alta renda na região da Ásia e do Pacífico.

O álcool, o que talvez não cause nenhuma surpresa, teve a menor contribuição para a mortalidade por câncer hepático no norte da África e no Oriente Médio, no entanto foi o maior fator de contribuição para a morte por câncer hepático na Europa Oriental, onde respondeu por mais da metade de todas as mortes pela doença em 2015.

 O álcool também foi o maior responsável pela mortalidade por câncer hepático na Bielorrússia.
 “Nossos resultados mostram que a maioria dos casos de câncer hepático pode ser evitada por meio de imunização, tratamento antiviral, segurança biológica nas hemotransfusões e boas práticas de aplicação de injeções, bem como por meio de intervenções para reduzir o consumo excessivo de álcool”, afirmam os pesquisadores.
 O fato de que o câncer hepático causado pelo vírus da hepatite B teria diminuído se a população tivesse permanecido a mesma entre 1990 e 2015 sugere que a vacinação global contra este vírus está começando a ser bem-sucedida.
 De fato, “partindo-se da premissa de que as tendências atuais de imunização contra o vírus da hepatite B irão continuar, estima-se que entre 2020 e 2050 o número de novas infecções pelo HBV diminua 70%”, sugerem os autores do estudo.
 O aumento global da incidência de câncer hepático causado por infecção pelo vírus da hepatite C também destaca a importância, tanto da prevenção, quanto da necessidade de tornar antivirais que tratam o HCV mais acessíveis, para controlar os casos de infecção.

 

 

 Fonte: Medscape
https://portugues.medscape.com
JAMA Oncol. Publicado on-line em 5 de outubro de 2017. Artigo

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