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Médicos chamam a atenção para o ganho de peso das mulheres na meia-idade

Especialistas identificaram a meia-idade como sendo uma época na qual as mulheres têm particular propensão a ganhar peso, e elaboraram uma série de recomendações para ajudar a prevenir e enfrentar o ganho ponderal à medida que as mulheres entram na menopausa.

Fonte: Google imagens

“Nós diferenciamos esse grupo de pacientes porque elas enfrentam desafios peculiares, como os sinais e sintomas da menopausa, que conspiram contra a adoção de um estilo de vida saudável, bem como a especificidade do ganho de peso, particularmente sua distribuição central”, disse ao Medscape por e-mail a primeira autora da nova revisão, Dra. Ekta Kapoor, endocrinologista da Mayo Clinic em Rochester, Minnesota.

“Ter como meta a modificação dos hábitos de vida a partir da meia-idade ajudará a evitar outras consequências prejudiciais à saúde com o passar dos anos”, acrescentou a pesquisadora em um comunicado divulgado pela instituição, observando que “nunca é tarde demais para começar a fazer escolhas saudáveis em termos de estilo de vida”.

Intitulado “Weight gain in women at midlife: A concise review of the pathophysiology and strategies for management” e destinado aos especialistas em medicina interna e aos médicos da atenção primária, o artigo foi publicado on-line em 1º de outubro de 2017 no periódico Mayo Clinic Proceedings.

Oferecer orientação sempre

A principal recomendação apresentada é a de destacar a importância do rastreamento de rotina da obesidade para as mulheres antes e depois da menopausa.

Se uma mulher tiver um índice de massa corporal (IMC) indicando sobrepeso ou obesidade, os médicos devem oferecer orientações pertinentes sobre o controle de peso — mesmo que a paciente não as solicite.

“Muitas vezes, as pacientes sentem vergonha de falar sobre questões relacionadas ao peso”, explicou a Dra. Ekta. “Porém, quando o médico inicia a conversa de forma compassiva, e demonstra preocupação, as pacientes ficam mais à vontade para falar sobre o assunto”.

Embora isso não esteja disponível em todos os consultórios ou clínicas, Dra. Ekta e colaboradores recomendam que, quando possível, os médicos adotem uma abordagem multidisciplinar para o controle do peso.

Dito isto, os autores ressaltam que os próprios médicos estão capacitados a orientar e a apoiar as pacientes em seus esforços para perder peso, e ajudá-las a estabelecer metas realistas de modo a evitar decepções.

Uma alimentação hipocalórica é o fundamento de qualquer plano de perda ponderal, e as pacientes podem escolher o tipo de dieta de sua preferência, desde que estas promovam um déficit diário entre 500 e 750 calorias. Em outras palavras, a maioria das mulheres não deve consumir mais de 1.200 a 1.500 calorias por dia para poder perder peso; deste modo, as pacientes podem esperar perder em média, de 0,5 kg a 0,75 kg por semana, observam os autores.

Dieta mediterrânea

Se a mulher achar que consegue seguir a dieta mediterrânea, rica em alimentos vegetais, grãos integrais, oleaginosas e legumes, este tipo de alimentação tem a vantagem de melhorar o perfil de risco de doença cardiovascular (DCV) e, como tal, merece ser especialmente considerado para as pacientes nas categorias de risco, como as mulheres obesas na menopausa, dizem os pesquisadores.

“As pacientes também devem ser incentivadas a usar ferramentas de controle do peso, como aplicativos de contagem de calorias (por exemplo, MyFitnessPal, Lose It!) e recursos on-line (por exemplo, o National Weight Control Registry)”, sugerem os autores.

Naturalmente, a atividade física anda a par e passo com o programa de perda de peso, e as mulheres mais ativas ao entrar na menopausa — ou que aumentam os níveis de atividade física durante ou depois deste período — têm menor propensão ao ganho ponderal do que as mulheres inativas.

As diretrizes recomendam que as pacientes façam entre 150 e 175 minutos de exercícios por semana, podendo ser a caminhada rápida ou alguma outra atividade aeróbica. “Os exercícios de resistência são particularmente benéficos porque melhoram a quantidade de massa corporal magra, aumentando assim o metabolismo e o gasto energético basais”, indicam os autores.

Da mesma forma, as mulheres que fazem terapia de reposição hormonal (TRH) tendem a ser mais enxutas e ter menos obesidade central. Consequentemente, se não houver nenhuma contraindicação para a mulher fazer terapia de reposição hormonal, ela pode se beneficiar, especialmente se estiver apresentando fogachos, transtornos do sono ou alterações do humor, que podem interferir nas tentativas de adotar e manter um estilo de vida saudável.

Medicamentos

O grupo da Mayo Clinic também recomenda oferecer às mulheres com índice de massa corporal acima de 30 kg/m2, ou > 27 kg/m2 na presença de alguma comorbidade relacionada com o peso, uma das várias opções terapêuticas disponíveis para auxiliar a promover a perda ponderal.

Os medicamentos aprovados para a perda ponderal são os inibidores do apetite, como a fentermina e a associação de liberação prolongada da fentermina com o topiramato. Outras substâncias aprovadas para a perda ponderal são a liraglutida, a lorcaserina e a associação de liberação prolongada da naltrexona com a bupropiona.

Os autores advertem, no entanto, que os medicamentos para a perda ponderal geralmente promovem uma perda de 5% a 10% do peso, e deveriam ser recomendados principalmente para as mulheres que estão motivadas a adotar mudanças saudáveis de estilo de vida, mas que não conseguem perder peso, apesar de seus esforços.

Para as mulheres com índice de massa corporal acima de 40 kg/m2 — ou 35 kg/m2 na presença de complicações relacionadas com o peso — há indicação de cirurgia bariátrica e as opções cirúrgicas devem ser discutidas juntamente com outras técnicas bariátricas menos invasivas.

Recuperação do peso é o maior inimigo

No entanto, cerca de metade das pacientes que conseguem perder uma quantidade significativa de peso volta ao peso inicial em três a cinco anos, advertem os autores da Mayo Clinic.

“Portanto, as pacientes precisam ser preparadas e orientadas sobre o platô do peso e o potencial de recuperação após a perda de peso inicial”, recomendam os pesquisadores.

As pessoas com maior probabilidade de manter a perda de peso têm uma boa rede de apoio social, recebem orientação comportamental sistemática e praticam entre 200 e 300 minutos de atividades físicas por semana.

Em contraste, as pacientes que praticam menos atividades físicas, que comem por impulso emocional, e que não contam com suporte social, são mais propensas a recuperar o peso perdido.

“As tentativas de perder peso valem muito a pena — apesar de sabermos que a metade das pacientes vai voltar ao peso inicial em três a cinco anos”, insistiu a Dra. Ekta.

“A manutenção do peso simplesmente exige esforços mais intensos em termos de atenção à alimentação, e uma atenção ainda maior à prática de exercícios do que a necessária para perder o peso inicial”, reafirmou a pesquisadora. Em média, as mulheres na faixa etária dos 50 e 60 anos ganham cerca de 0,5 kg por ano.

Fonte: Medscape
https://portugues.medscape.com 
Mayo Clin Proc. Publicado on-line em 1 de outubro de 2017. Artigo

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