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Novas diretrizes dos CDC sobre conduta nos casos de bebês com infecção congênita pelo vírus Zika

Os Centers for Disease Control and Prevention (CDC) disponibilizaram diretrizes clínicas atualizadas sobre o tratamento dos bebês com infecção congênita pelo vírus Zika, suspeita ou confirmada.  Margaret Honein, PhD, epidemiologista e chefe do Birth Defects Branch do CDC National Center on Birth Defects and Developmental Disabilities, disse ao Medscape: “As diretrizes interinas atualizadas vêm em resposta a três questões principais” (…)

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“Em julho de 2017, os CDC atualizaram as diretrizes de conduta para os casos de infeção pelo vírus Zika em gestantes, com o objetivo de reduzir a possibilidade de resultados falso-positivos quando a probabilidade da infecção for menor (baixa prevalência de infecção pelo Zika notificada). Contudo, existe a possibilidade de que a ausência de testagem de rotina possa atrasar o diagnóstico para alguns bebês, particularmente aqueles sem achados clínicos aparentes ao nascer, mas que podem ter complicações da infecção congênita pelo vírus. Além disso, ainda não se sabe qual é o exame ideal, os tipos de amostra biológica a serem testados, e o momento de realização do teste. Esta atualização incorpora os novos achados sobre a infecção congênita pelo Zika que os médicos devem conhecer”.

As novas diretrizes, que incorporam os dados obtidos durante o ano passado, estratifica os bebês em três categorias de risco, de acordo com: resultados dos exames laboratoriais maternos, presença ou ausência de anomalias congênitas, e realização de exames laboratoriais para o diagnóstico da infecção pelo Zika no bebê. As recomendações abarcam o diagnóstico, a avaliação, o monitoramento e a conduta para cada grupo de risco.

A atualização também revoga algumas recomendações da versão anterior de agosto de 2016. A avaliação da função tireoidiana e a triagem auditiva entre os quatro e os seis meses de idade não são mais recomendadas pela ausência de dados sobre a necessidade destes exames. A Dra. Margaret disse que os CDC não receberam nenhuma notificação de perda auditiva tardia.

“Há muita coisa que ainda não sabemos sobre o Zika, por isso é muito importante para nós manter um olhar atento sobre esses bebês à medida que eles se desenvolvem”, disse a diretora dos CDC Dra. Brenda Fitzgerald, em um comunicado à imprensa. “Aprender qual é a melhor forma de lhes prestar assistência vai exigir um trabalho de equipe entre os profissionais de saúde e as famílias”.

A síndrome da infecção congênita pelo vírus Zika está associada a um padrão de defeitos congênitos que engloba anomalias cerebrais, problemas visuais, perda auditiva e problemas de mobilidade dos membros. Recém-nascidos com infecção congênita podem parecer saudáveis ao nascer, mas podem já ter anomalias cerebrais subjacentes ou outros problemas de saúde relacionados com a infecção pelo vírus.

Portanto, as recomendações atualizadas dão ênfase à importância de os pediatras avaliarem o risco de infecção congênita pelo Zika, trabalhando junto com os obstetras e mantendo um alto índice de suspeição diante de problemas tardios no desenvolvimento de bebês nascidos de mães com possível exposição ao vírus durante a gestação, mesmo que nenhum desses problemas seja aparente ao nascimento.

As diretrizes foram elaboradas pela Dra. Tolulope Adebanjo, médica do Epidemic Intelligence Service dos CDC em Atlanta, Geórgia, et al., em colaboração com a American Academy of Pediatrics, o American College of Obstetricians and Gynecologists e outros especialistas clínicos, em agosto de 2017.

Em todos os casos, a avaliação padronizada recomendada ao nascer, e em todas as consultas de puericultura para os bebês com possível exposição intrauterina ao vírus zika, consiste em: exame físico completo (incluindo os parâmetros de crescimento), monitoramento do desenvolvimento e rastreamento utilizando instrumentos validados recomendados pela American Academy of Pediatrics, e avaliação oftalmológica, em conformidade à recomendação da American Academy of Pediatrics. As diretrizes também recomendam a avaliação da audição ao nascimento, preferencialmente por meio do exame de potencial auditivo evocado do tronco encefálico.

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Para os bebês com anomalias congênitas sugestivas de síndrome da infecção congênita pelo vírus Zika, e nascidos de mães com possível exposição ao vírus durante a gestação (independentemente dos resultados dos exames maternos para a identificação do vírus), os especialistas ampliaram lista dos potenciais problemas a serem monitorados incluindo dispneia, disfagia e hidrocefalia.

Os autores observam que o atendimento e o acompanhamento desses bebês não depende mais dos resultados dos exames diagnósticos para a infecção pelo vírus nos bebês. “Porque os bebês com achados clínicos sugestivos de síndrome da infecção congênita pelo Zika têm risco de retardo e deficiências de desenvolvimento, recomenda-se o encaminhamento para um especialista em desenvolvimento infantil, e para os serviços com programas de intervenção precoce, bem como para os serviços de apoio à família”, escrevem os autores.

As diretrizes também recomendam considerar a solicitação de parecer da infectologia, da genética clínica e, com um mês de idade, da neurologia, para fazer um exame neurológico completo. A avaliação auditiva entre os quatro e seis meses não é mais recomendada para os bebês cujo exame inicial foi normal.

Para os bebês sem anomalias congênitas nascidos de mães com indícios laboratoriais de possível infecção durante a gestação, as diretrizes recomendam a sorologia para o vírus Zika. Esses bebês também devem fazer ultrassonografia transcraniana e uma avaliação oftalmológica abrangente com um mês de idade, a fim de descartar alterações cerebrais e oculares subclínicas. O monitoramento na puericultura deve incluir a avaliação de comprometimento de acuidade/função visual, problemas de audição, e retardo do desenvolvimento ou do crescimento cefálico.

Se exames laboratoriais comprovarem a infecção congênita pelo vírus Zika, a conduta para este bebê deve ser a das recomendações para os bebês com achados clínicos. A modificação em relação às diretrizes de 2016 é que o teste auditivo diagnóstico entre os quatro e os seis meses de idade, ou a audiologia comportamental aos nove meses de idade, não são mais recomendados se o bebê tiver tido resultado normal no exame de potencial auditivo evocado do tronco encefálico.

Por outro lado, se os exames laboratoriais não comprovarem a infecção congênita pelo vírus Zika, o bebê deve fazer o atendimento pediátrico de rotina.

Por fim, os bebês sem anomalias congênitas e nascidos de mães com possível exposição ao Zika durante a gestação, mas sem comprovação laboratorial de infecção pelo vírus durante a gestação, devem fazer a puericultura convencional, bem como a prevenção de rotina e as imunizações.

Este grupo inclui os bebês nascidos de mães que não foram testadas durante a gestação, ou aquelas cujo resultado do teste pode ter sido negativo em decorrência do momento da realização, da sensibilidade do ensaio, ou por questões de especificidade. Os autores dizem: “Como estas últimas questões não são facilmente reconhecidas, todas as mães com possível exposição ao Zika durante a gestação e sem indícios laboratoriais de possível infecção pelo vírus, inclusive as que tiveram resultados negativos com a tecnologia atualmente disponível, devem ser consideradas como pertencendo a este grupo”.

A atualização também traz recomendações adicionais para o diagnóstico pré-natal da infecção congênita pelo Zika, com o uso de ultrassonografia e amniocentese.

Morb Mortal Wkly Rep 2017; 66:. 1089-1099. Diretrizes
Fonte: Medscape
https://portugues.medscape.com

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