Organização Mundial de Saúde lança CID-11

A Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou em 18 de junho a 11ª edição da Classificação Internacional de Doenças (CDI-11) após mais de 10 anos de preparação.

Fonte: Google imagens

Pela primeira vez, a nova CID-11 é totalmente eletrônica, tornando-a mais fácil de usar e menos propensa a erros, afirmou a própria OMS em comunicado à imprensa durante o evento de lançamento da obra. Trinta e um países estiveram envolvidos no teste de campo da CID-11, que agora contém 55.000 códigos – a CID-10 continha 14.400.

A CID-11 será apresentada durante a Assembleia Mundial da Saúde, em maio de 2019, para adoção por todos os estados membros e entrará em vigor em 1º de janeiro de 2022. O lançamento agora permitirá que os países possam planejar o uso da nova versão, preparar as traduções e treinar os profissionais da saúde por todo o país.

“Nós estamos trabalhando com todos os escritórios da OMS no plano de implementação global. Preparamos um pacote de implementação para ajudar na transição do antigo sistema para o novo”, disse o Dr. Robert Jakob, líder da equipe de classificação de terminologias e padrões da OMS.

A nova CID reflete o progresso da medicina e os avanços na compreensão das doenças, segundo ele. A obra conta com novos capítulos, um deles sobre a medicina tradicional, que nunca havia sido classificada nesse sistema.

A nova CID agrupa doenças de maneira que correspondam ao conhecimento atual.  Dr. Robert Jakob

Uma grande revisão retira a incongruência de gênero do capítulo condições de saúde mental e a coloca no novo capítulo sobre saúde sexual, disse a Dra. Lale Say, coordenadora do departamento de saúde reprodutiva e pesquisa da OMS.

Na edição anterior da CID, a incongruência e gênero estava no capítulo de condições saúde mental, mas na CID-11, devido à melhor compreensão sobre esta condição, sabemos que não se trata de um “transtorno de saúde mental”, explicou a Dra. Lale. “Mantê-la no capítulo de condições de saúde mental teria o potencial de estigmatizar estas pessoas, por isso precisávamos acabar com este estigma.”

Transtorno dos jogos eletrônicos

Outra mudança foi a inclusão do transtorno dos jogos eletrônicos na seção dos transtornos aditivos. O transtorno dos jogos eletrônicos é caracterizado como um padrão comportamental que prejudica a capacidade de controlar a prática de jogos eletrônicos, de modo a priorizá-los em detrimento de outras atividades, como dormir, comer, fazer o dever de casa ou trabalhar. Isto “resulta em um comprometimento significativo nas áreas de funcionamento pessoal, familiar, social, educacional, profissional ou outras áreas importantes”, disse o Dr. Shekhar Saxena, diretor do departamento de saúde mental e abuso de substância da OMS.

“Este comportamento deve ser observado regularmente por pelo menos 12 meses antes de ser caracterizado como transtorno dos jogos eletrônicos”, disse ele. “Jogar estes jogos eletrônicos não significa ter este transtorno. De fato, apenas uma pequena minoria das pessoas que jogam tem este transtorno, mas os países e os profissionais de saúde precisam conhecer esta doença e buscar fazer o diagnóstico dela. Desta forma, podem prevenir e tratar o transtorno”, disse o Dr. Saxena.

 O Dr. Jakob disse que outras seções que foram atualizadas e reestruturadas de acordo com o conhecimento atual incluem cardiologia, alergias e doenças do sistema imune, doenças infecciosas, câncer, demência e diabetes.
 De relevância, “os padrões de resistência antibiótica agora podem ser documentados de maneira apropriada, o que auxilia na pesquisa e na produção de novos antibióticos”. Os códigos da CID-11 relacionados com a resistência antimicrobiana estão mais alinhados com o Sistema Global de Vigilância Antimicrobiana (GLASS, do inglês Global Antimicrobial Resistance Surveillance System).

A CID-11 também é capaz de refletir melhor os dados sobre segurança na assistência à saúde. “Com a CID-11, os eventos de segurança do paciente podem ser identificados de maneira inovadora e, então, prevenidos. Este é um tópico de extrema relevância. A antiga CID não permitia a documentação apropriada destes eventos. Com a nova CID-11, temos um sistema completo para documentar incidentes e quase-acidentes”, disse o Dr. Jakob.

 

 

Fonte: Medscape

https://portugues.medscape.com

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