Primeiras diretrizes nacionais de ressonância magnética para os portadores de marcapasso

Fonte: Google imagens

Em outubro, foram publicadas as primeiras diretrizes nacionais para a realização de exames de ressonância magnética em portadores de dispositivos cardíacos eletrônicos implantáveis. A iniciativa partiu de profissionais ligados à Associação Brasileira de Arritmia, Eletrofisiologia e Estimulação Cardíaca Artificial (ABEC), ao Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) e à Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac).

“Um novo protocolo havia sido publicado nos Estados Unidos no ano passado, mas no Brasil ainda não tínhamos algo assim. Essas orientações ajudam a estabelecer parâmetros mínimos de segurança para esses exames”, afirmou o Dr. Bruno Valdigem, eletrofisiologista do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia e cardiologista do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein.

Um dos coordenadores da elaboração das diretrizes, Dr. Bruno falou ao Medscape sobre a importância de sistematizar o atendimento desses pacientes, que, no passado, não eram considerados elegíveis para os exames de ressonância magnética devido aos riscos associados à existência de um dispositivo cardíaco no corpo. Os pesquisadores estimam, no entanto, que até 75% desses pacientes venham a precisar de um exame do tipo ao longo da vida, reforçando a necessidade das diretrizes.

De acordo com o Dr. Bruno, desde 2012 o Brasil passou a ter os chamados dispositivos implantáveis condicionais, que não apresentam riscos ao paciente quando expostos aos campos magnéticos. A ABEC disponibiliza uma lista completa de cabo-eletrodos e geradores condicionais.

 Formados por cabo-eletrodos que conduzem os impulsos elétricos, e por um gerador, os dispositivos cardíacos implantáveis podem sofrer interferência do campo magnético gerado pela ressonância – interpretando o campo como um sinal anormal (QRS ou onda p). Como consequência, diferentes comportamentos podem ser observados: deflagração de estímulos cardíacos artificiais com frequência elevada, inibição dos estímulos cardíacos, choques inapropriados, modificação dos parâmetros de estimulação forçada (o reset) ou ainda danos aos cabos, ao gerador ou aquecimento do sistema.

“Existia ainda o temor de que o dispositivo poderia ser deslocado pelo campo magnético ou de os cabos acabarem torcidos. Isso não se verificou, mas existe risco de aquecimento do aparelho, provocando desconforto no paciente e danos ou mudanças na forma como os componentes do dispositivo funcionam”, explicou Dr. Bruno.

Antes dos exames de ressonância magnética nos pacientes com estimuladores condicionais, que precisam ter cabo-eletrodos e geradores produzidos pelo mesmo fabricante (informação que consta na carteira do portador do marcapasso), deve ser feita uma reprogramação, tornando o dispositivo indiferente ao campo magnético (modo assíncrono), além de elevar a energia de estimulação. Nos cardiodesfibriladores condicionais, além da indiferença ao campo magnético, a reprogramação também busca impedir que seja detectado como taquicardia ventricular ou arritmia ventricular.

De acordo com as diretrizes, os parâmetros de 1,5 T, gradiente slew rate ≤ 200 T/m/s e SAR (do inglês Specific Absorption Rate) máximo ≤ 2W/kg permitem a segurança de todos os dispositivos condicionais, independentemente da região de interesse. Alguns modelos mais recentes também permitem o uso de 3 T, condição que pode ser verificada conforme o interesse do paciente e do médico responsável.

 

 

Fonte: Medscape

https://portugues.medscape.com

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