CSBBF-PR2018

Quando o diabetes tipo 2 começa? Alterações são evidentes 20 anos antes

Fonte: Google imagens

O diabetes tipo 2 pode começar até 20 anos antes do diagnóstico, com um lento desdobrar de alterações metabólicas, como as alterações da glicemia plasmática em jejum e da sensibilidade à insulina, mostra um estudo que explorou o desenrolar da progressão do diabetes, comparando dados de pessoas que evoluíram e que não evoluíram para a doença.

O Dr. Hiroyuki Sagesaka, médico do Aizawa Hospital, em Matsumoto, Japão, liderou a pesquisa, junto com o Dr. Mitsuhisa Komatsu, da Shinshu University Graduate School of Medicine, em Matsumoto, e colaboradores. O Dr. Mitsuhisa apresentou os resultados do estudo no European Association for the Study of Diabetes (EASD) 2018 Annual Meeting.

“Como a grande maioria das pessoas com diabetes tipo 2 passa pelo estágio de pré-diabetes, nossos resultados sugerem que o aumento dos marcadores metabólicos do diabetes são detectáveis mais de 20 anos antes do diagnóstico”, disse o Dr. Mitsuhisa ao Medscape.

Até hoje não se sabia em que momento as pessoas que abrem o quadro do diabetes e as que não têm a doença se diferenciavam significativamente umas das outras, explicou o pesquisador. “A novidade do nosso estudo é que revelamos a trajetória do pré-diabetes. Isso nos permite avaliar os estágios iniciais da doença”.

Indagado sobre como acreditava que esses dados poderiam servir para fins práticos, o Dr. Mitsuhisa sugeriu que os resultados “mostraram que intervenções muito precoces ou modificações no estilo de vida são necessárias não apenas para o diagnóstico, mas para os adultos jovens ou até para as crianças. Na luta contra o diabetes, quanto mais cedo melhor”.

A pesquisa foi publicada no início deste ano  no periódico J Endocr Soc. Convidado a comentar o estudo, Dan Howarth, Enfermeiro Chefe do Diabetes UK, disse: “Esta pesquisa parece sugerir a possibilidade de detectar os sinais de diabetes tipo 2 muito antes de um diagnóstico oficial”.

“Embora essa pesquisa tenha sido realizada em uma população especificamente japonesa, sabemos que existem cerca de um milhão de pessoas só no Reino Unido que já têm diabetes tipo 2 e ainda não sabem disso”.

“Ter ciência sobre o risco a qualquer momento é, naturalmente, útil para evitar ou prevenir o diagnóstico de diabetes tipo 2. Tendo ou não aumento do risco de diabetes tipo 2, todos devem ser estimulados a adotar um estilo de vida mais saudável, se alimentando melhor e se exercitando mais”.

Mais de 27.000 pessoas acompanhadas

Os pesquisadores japoneses buscaram esclarecer quando a glicemia começa a aumentar entre as pessoas que vão ter diabetes, com o intuito de lançar mais luz sobre a cronologia do desenrolar da doença.

No total, 27.392 pessoas sem diabetes foram acompanhadas inicialmente entre 2005 e 2016 até o diagnóstico de diabetes tipo 2 ou pré-diabetes ou até o final de 2016, o que ocorreu primeiro. A média de idade foi de 49 anos, o índice de massa corporal (IMC) médio foi de 22,6 kg/m² e 11.495 eram do sexo feminino.

No início do estudo, 15.778 participantes tinham metabolismo normal da glicose e 11.614 tinham pré-diabetes. Durante o período do estudo, foram identificados 1.067 novos casos de diabetes tipo 2. Os resultados mostraram que, em média, vários fatores de risco foram mais comuns entre os participantes que evoluíram para o diabetes tipo 2 em comparação aos que não tiveram a doença. Em particular, o aumento do IMC, da glicemia de jejum e da resistência à insulina precederam em até 10 anos o diagnóstico, e essas diferenças ampliaram ao longo do tempo.

“A glicose plasmática aumenta 10 anos antes e isso é acompanhado pelo seu aumento gradual até um ano antes do diagnóstico e, por fim, ocorre um aumento acentuado no ano do diagnóstico”, informou o Dr. Mitsuhisa.

 Por exemplo, a glicemia de jejum média 10 anos antes do diagnóstico foi de 101,5 mg/dL entre os participantes que tiveram diabetes em comparação com 94,5 mg/dL entre os que não tiveram. Cerca de cinco anos antes do diagnóstico, a glicose plasmática em jejum aumentou para 105 mg/dL versus94 mg/dL e, a seguir, um ano antes do diagnóstico de diabetes, estes números foram de 110 mg/dL vs. 94 mg/dL, respectivamente.
Nas pessoas com diagnóstico de diabetes, o IMC subiu de cerca de 24 kg/m² para 25,5 kg/m², mas permaneceu relativamente estável entre os que não tiveram a doença. E a sensibilidade à insulina (estimada pela medida substituta de estimativa da sensibilidade à insulina em dosagem isolada ou SPISE, do inglês Single Point Insulin Sensitivity Estimator) também diminuiu nas pessoas que progrediram para o diabetes tipo 2 (de 7,4 para 6,6 em 10 anos), contudo, se manteve relativamente estável entre os que não tiveram diabetes.

Dos 15.778 participantes com glicemia normal no exame inicial de saúde, 4.781 progrediram para pré-diabetes durante o período do estudo e as mesmas alterações, embora em grau mais leve, ocorreram pelo menos 10 anos antes do diagnóstico de pré-diabetes.

 O Dr. Mitsuhisa disse que, para os que estão destinados a ter diabetes, “acreditamos que o estilo de vida sedentário e o excesso de comida causam leve resistência à insulina no fígado e aumentam a glicemia de jejum pela secreção insuficiente de insulina do pâncreas”. Por outro lado, “as pessoas obesas, cujo pâncreas secreta insulina de acordo com as necessidades fisiológicas, simplesmente têm obesidade sem diabetes”, acrescentou.

O autor sênior Dr. Hiroyuki ressaltou que os novos resultados enfatizam a importância da intervenção precoce. “Como os estudos de prevenção em pessoas com pré-diabetes parecem ser menos bem-sucedidos no acompanhamento prolongado, podemos precisar intervir muito antes do estágio do pré-diabetes para evitar a progressão para o diabetes”, disse o pesquisador. “É necessário fazer um estudo de intervenção muito mais precoce, com medicamentos ou com alterações do estilo de vida”.

 

 

Fonte: Medscape

https://portugues.medscape.com

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